Escaneo tridimensional de objetos a través de
materiales transparentes
Tridimensional
digitalization of objects through transparent materials
Digitalização
tridimensional de objetos através de materiais transparentes
Isabella
de Souza Sierra1, *, Gabriel Chemin Rosenmann1,
José Aguiomar Foggiatto2, Marcio Fontana
Catapan1, Maria Lucia Leite Ribeiro Okimoto1
1- Universidade
Federal do Paraná, Brasil.
2-
Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Brasil.
*E-mail:
isa.dss@gmail.com
Recibido:
04/10/2019; Aprobado: 28/09/2020
Resumen
Este
estudio tuvo como objetivo comprender el comportamiento del escaneo 3D mediante
luz infrarroja estructurada al escanear objetos que están detrás de materiales
transparentes. Se hicieron las siguientes preguntas: ¿Cuáles son los errores
encontrados en la superficie generada por el escaneo 3D a través de varios
materiales transparentes? ¿Es factible utilizar estos datos para recopilar
mediciones? Para responder a estas preguntas, se realizó un experimento en el
que se escaneó el mismo objeto a través de diferentes superficies transparentes
en diferentes situaciones. Como resultado, se encontraron cuatro tipos de
errores: oclusión, calidad de la superficie, cierre y reflejo. Además, también
fue posible probar la usabilidad de estas superficies digitalizadas al realizar
mediciones antropométricas de partes del cuerpo grandes y medianas según la
definición de ISO 20685:2010.
Palabras clave: Escaneo 3D; Infrarrojo; Kinect; Antropometría;
Reconstrucción.
Abstract
This study aimed at
understanding the behavior of the 3D scanning by structured infrared light when
scanning objects that are behind transparent materials. The following questions
were addressed: What are the errors found on the surface generated by 3D scanning
through several transparent materials? Is it feasible to use the data gathered
to collect anthropometric measurements? To answer these questions an experiment
was carried out in which the same object was scanned through different
transparent surfaces in different situations. As a result, four types of errors
were found in the scan: occlusion, superficial quality, closure and reflection.
Furthermore, it was also possible to
prove the usability of these surfaces for taking anthropometric measurements of
large and medium body parts as defined by ISO 20685:2010.
Keywords: 3D Scanning; Infra-red; Kinect; Anthropometry;
Reconstruction.
Resumo
Este estudo objetivou
compreender o comportamento do escaneamento 3D por luz infravermelha
estruturada, ao digitalizar objetos que estão atrás de materiais transparentes.
Problematizam-se as seguintes questões: Quais os erros encontrados em
superfície gerada por escaneamento 3D através de diversos materiais
transparentes? É viável a utilização desses dados para coleta de medidas? Para
responder a essas perguntas realizou-se um experimento no qual se digitalizou
um mesmo objeto através de diferentes superfícies transparentes em diferentes
situações. Como resultados foram encontrados quatro tipos de erros no
escaneamento: oclusão, qualidade superficial, fechamento e reflexo. Além disso
também foi possível comprovar a usabilidade dessas superfícies digitalizadas na
realização de medidas antropométricas de grandes e médias partes do corpo,
conforme definido pela ISO 20685:2010.
Palavras-chave: Escaneamento 3D; Infravermelho; Kinect;
Antropometria; Reconstrução.
1.
INTRODUÇÃO
Escâneres
tridimensionais vem sendo cada vez mais utilizados para capturas de geometrias
de objetos e pessoas de maneira a gerar um modelo digital tridimensional que
pode ser manipulado, medido e utilizado para diversas aplicações tais como:
criação de avatares, na engenharia reversa, bem como na criação de novos
produtos [1] [2]. Assim, nesta última aplicação, a digitalização de partes do
corpo permite a captura de medidas antropométricas e morfologias corporais que
podem ser utilizadas para o desenvolvimento de produtos que seguem a geometria
corporal. Entre os usos, estes podem ser utilizados para aumentar o conforto [1],
para uso médico de reabilitação e auxílio em tarefas de vida diária como na modelagem
de órteses e de próteses [3]. Embora os escâneres tridimensionais estejam mais
acessíveis com a proliferação de equipamentos de baixo custo [4] e até mesmo
sistemas que utilizam simples câmeras fotográficas e softwares computacionais [2],
pouco ainda é explorado sobre os limites das funcionalidades desses
equipamentos.
Uma
dessas lacunas de exploração é a relação entre escâneres tridimensionais e as superfícies
transparentes. Sobre o tema, abordam alguns estudos a respeito da dificuldade
de escaneamento de objetos transparentes e brilhantes como garrafas de plástico
[5] e taças de vidro [6] pois estes materiais capturam imagens que são
observadas através dos mesmos. No entanto, acredita-se que essa característica
dos escâneres gera algumas possibilidades de aplicação, como para a captura de
geometrias que se encontram atrás ou dentro de objetos transparentes. Isso pode
ser aplicado na captura de superfícies corporais, quando há dificuldade de se
manter a posição estática durante o tempo necessário para a realização da
captura tridimensional [7]. Assim, o uso de suportes e gabaritos fabricados em
materiais transparentes poderia possibilitar a captura da geometria corporal,
inclusive àquela que o corpo está apoiado.
Sendo
assim, este estudo objetivou compreender o comportamento do escaneamento 3D por
luz infravermelha estruturada ao digitalizar objetos que se encontram atrás de
materiais transparentes. Para tal elaborou-se um experimento onde foi escaneado,
utilizando um Kinect 360, um mesmo objeto através de diferentes materiais
transparentes, vidro e acrílico em diferentes posições. Problematizaram-se as
seguintes questões: É possível o escaneamento de objetos através de materiais
transparentes? Quais são os erros encontrados em superfície gerada por
escaneamento 3D através de materiais transparentes? É viável a utilização
desses dados para coleta de medidas antropométricas? Com quais materiais obtém-se
melhor qualidade de resolução da imagem interposta por este?
2.
REFERENCIAL TEÓRICO
Este artigo se trata de
um estudo novo e, portanto, não há trabalhos diretamente comparáveis. Ou seja,
não se encontrou bibliografia que tratasse do escaneamento de objetos através
de matérias transparentes utilizando a tecnologia de escaneamento
tridimensional por infravermelho. Ainda assim, é possível fazer comparações com
outros trabalhos que fizeram testes utilizando a tecnologia por escaneamento a
laser. Assim, neste referencial teórico apresentam-se estudos com escaneamento
através do vidro utilizando equipamentos com o princípio de triangulação a laser.
E, em seguida, expõem-se o princípio de escaneamento 3D por triangulação de luz
estruturada infravermelha do sistema utilizado neste estudo, o Kinect 360.
2.1 Estudos com escaneamento 3D à laser através do
vidro
Na literatura
ressalta-se as pesquisas de Chang et al. [7], Li et al. [8] e Li et al. [9], que realizaram estudos de calibração de escâneres de triangulação a
laser e escaneamento de mãos através de suportes de vidro. Nesses trabalhos o
vidro é utilizado para redução de sombras e estabilização da mão do
participante durante o processo de digitalização. Chang et al. [7]
apresentam um método de calibração e utilização de equipamentos a laser de
maneira a controlar os erros gerados pela refração do laser quando atravessa o
vidro. Em um outro trabalho Li et al. [8] apresentam um cálculo de
calibração do equipamento levando em conta a possibilidade de refração do laser.
No escaneamento de objetos através de materiais
transparentes, sejam eles vidros, plásticos ou líquidos, a refração da luz do
escâner é inevitável [8], resta determinar se os desvios dimensionais e/ou
geométricos causados podem ser reparados ou ignorados. O erro de refração
depende da espessura do material transparente, do índice de refração do
material, da densidade do ar e da angulação da incidência da luz do escâner [7].
Outra questão apontada é que podem ocorrer erros de compatibilidade das medidas
de mesmo objeto ou parte do corpo, pois ao utilizar um suporte de vidro parte
do objeto escaneado sobre o suporte será escaneado através do vidro e parte do
objeto será escaneado sem o vidro [7]. Ou seja, a parte do objeto escaneada
através do vidro contém o erro relativo à refração, enquanto a outra parte não.
Li et al. [9] consideraram alguns critérios como
os mais importantes e influenciadores nas deformações da figura tridimensional
causada pela refração, são elas: 1) a orientação e angulação do scanner em
relação ao objeto; 2) a refração tangencial, causada por reflexos; 3) a
distância do objeto para o suporte transparente; e 4) a distância do escâner
para o conjunto objeto e material transparente. Para esses critérios,
utilizando o laser, a angulação do escâner em relação à superfície foi a que
mais influenciou os resultados sendo preferível uma angulação entre 60 e 120
graus.
Tendo
esses elementos como base, Chang et al. [7] e Li et al. [9]
encontraram que o erro médio causado pela refração da luz do escâner é de no
máximo ±0,3mm em toda a superfície do objeto escaneado. Talvez por este motivo,
outros trabalhos encontrados [10] [11], que se utilizaram de suportes
transparentes, desconsideram a influência da refração no objeto final.
Schwarz-Müller, Marshall e Summerskill [10] utilizaram um
tubo translúcido de Plexiglas® para a estabilização do quadril e
escaneamento de corpo inteiro. Como resultado obtiveram uma malha
tridimensional do corpo humano onde não havia sinais da prévia existência do
tubo. Jones et al. [11] realizaram o escaneamento do corpo de pessoas
obesas deitadas sobre o vidro. Neste contexto os pesquisadores desconsideram o
erro gerado pela refração do vidro, mesmo este possuindo espessura considerável
para suportar a massa do corpo de uma pessoa adulta obesa.
2.2 Escaneamento 3D por luz estruturada infravermelha
- Kinect 360
No ano de 2010 a empresa
Microsoft lançou no mercado o equipamento Kinect 360 para a interação do
usuário com jogos virtuais por meio de gestos, sem a utilização de controles
físicos. Porém, logo este equipamento foi readequado para a geração de malhas
digitais 3D. Desde então surgiram diversos outros projetos de equipamentos e
alguns programas computacionais para a reconstrução digital 3D de objetos com
baixo custo [12].
O
Kinect 360, quando utilizado como um escâner 3D apresenta o mesmo princípio de
funcionamento da tecnologia de digitalização 3D por luz estruturada. O
equipamento é constituído por um emissor infravermelho, um sensor infravermelho,
desenvolvido pela empresa PrimeSense®, uma câmera com captação de três canais
de cor, sendo o vermelho (R), verde (G) e azul (B) que gera imagens com
resolução de 640x480 pixels. O emissor infravermelho projeta um padrão de
pontos sobre a superfície que está sendo escaneada que é então captado pelo
sensor. Por meio da comparação deste padrão emitido e do captado pelo sensor o
equipamento infere a distância dos pontos, atribuindo a eles um valor de
profundidade (D), sendo assim considerado um emissor RGB-D [3].
Como o equipamento não foi desenvolvido para realização
de escaneamento 3D, esse não possui um programa proprietário para a aquisição e
registro dos dados tridimensionais, mas sendo possível o seu uso com softwares
específicos. Os estudos apresentados [13] [14] descrevem a aplicação do Kinect
360 na antropometria e inclusive indicam a importância de programas
computacionais adequados para o controle e registro da captura de dados
tridimensionais utilizando este equipamento.
Na
literatura são reportados alguns possíveis problemas nas malhas tridimensionais
geradas pelo Kinect 360 que são dimensionais, com erros de precisão esperados entre
2 e 4 mm [12] dependendo da distância entre o objeto e o Kinect, geométricos, com
a simplificação das formas [14], baixa precisão [1], além de problemas de
fechamento de malha [4] e erros compostos, ou seja a soma de erros de
fechamento com erros de precisão [15] sendo mais recomendado para coletas de
medidas de acima de 50mm [12]. Essa recomendação está de acordo com a ISO 20685:2010 que determina erros aceitáveis
de medição antropométrica para partes médias e maiores (braços, pernas, tronco
e cabeça) variando entre 9 e 4 milímetros de erro aceitável [16].
3.
MÉTODO
Realizou-se um estudo experimental
no qual foi escaneado um mesmo objeto através de diferentes superfícies
transparentes em diferentes situações. Esses dados foram tratados de maneira
que pudessem ser estudadas as suas características superficiais e dimensionais.
Por fim, avaliaram-se comparativamente os resultados obtidos.
3.1 Materiais
Nesta pesquisa foi
utilizado o equipamento Kinect 360 e drive SDK 1.2 da Microsoft, software de
captura Skanect com as seguintes especificações: caixa delimitadora: volume
cúbico de 500mm de lado; qualidade de feedback: alta; gravação off-line: todos
os quadros; modo de escaneamento: profundidade e cor, e software de análise e
de medidas Geomagic. O Kinect 360 foi conectado a um computador desktop
utilizando com sistema operacional Windows 10.
O
local do escaneamento era fechado contando com iluminação difusa com lâmpadas
fluorescentes brancas. O objeto utilizado consistiu de uma representação de mão
articulada em madeira clara na posição fechada e com os dedos indicador,
polegar e mínimo levantados. As superfícies transparentes consistiram em uma
placa de vidro de 300x300x3mm (V3), outra placa de vidro de 300x300x6mm (V6) e
uma placa de acrílico de 300x300x2mm (AC). O escaneamento foi realizado com o
escâner à uma distância de 600mm do objeto para todas as situações, e com o
sensor sendo movimentado no entorno do objeto não ultrapassando às angulações
de 60 e 120 graus indicados por Li et al. [9].
Para
a configuração do objeto a ser escaneado através as superfícies transparentes,
foi montado um pequeno ambiente (Figura 1) com a utilização de duas bases
pretas e 4 marcadores brancos de 33x33mm (para que fossem facilmente
identificados) posicionados a diferentes distâncias do vidro e do objeto. Os
marcadores brancos foram adicionados em posições estratégicas em diferentes
distâncias em relação ao objeto e à superfície transparente (na frente da
superfície transparente, encostado na superfície transparente, entre o objeto e
a superfície transparente e na diagonal traseira do objeto). Os marcadores e
objeto foram colados à superfície preta e não foram movidos em nenhuma das
situações experimentais, a única variável alterada foi a superfície
transparente.
|
|
|
|
|
(a) |
(b) |
(c) |
Figura 1.
Ambiente de digitalização construído. (a) uma vista frontal do ambiente
construído; (b) a primeira posição do objeto a ser escaneado distante da
superfície transparente; (c) a segunda posição do objeto com o objeto encostado
na superfície transparente.
Na figura 1-a estão
apresentadas as medidas reais e a localização dos pontos coletados. Foram
realizadas 10 medições em cada malha gerada pela digitalização, utilizando o
software Geomagic, com o comando de criação de superfície e verificação de
ajuste, e estas foram comparadas com as medidas reais que seguem: médias das
medidas x e y dos marcadores (medida padrão x = 33 mm, y = 33 mm); Distância
entre as bases dos dedos mínimo e indicador (medida padrão 40 mm); e diâmetro
do punho (medida padrão 39 mm).
3.2 Configuração do experimento
Foram realizados
escaneamentos em 4 situações para cada um dos 3 materiais transparentes (Figura
2). Essas quatro situações foram escolhidas de maneira a assemelhar-se aos
casos reais de aquisição de forma tridimensional para coleta de medidas
antropométricas. Visto que parte do corpo estaria encostada à superfície
transparente e parte estaria distante, além de que, em momentos seria obtida a
forma tridimensional apenas através do material transparente e às vezes seria
captada com a volta completa. Foram coletados os dados destas situações para os
três diferentes materiais transparentes já descritos. Totalizando 12 ambientes
escaneados.
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|
|
|
(a) |
(b) |
|
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|
|
(c) |
(d) |
Figura 2.
Configuração do experimento. (a) Objeto (P1) a 50 mm do material transparente e
escaneamento somente através do material; (b) Objeto (P1) a 50 mm do material
transparente e escaneamento em volta de todo o objeto; (c) Objeto (P2)
encostado no material transparente e escaneamento somente através do material;
(d) Objeto (P2) encostado no material transparente e escaneamento em volta de
todo o objeto.
Na figura 2, M1, M2, M3
e M4 representam os marcadores, P1 representa o objeto colocado a 50mm da
superfície transparente e P2 representa o objeto colocado encostado na
superfície transparente. A palavra “Frontal” é utilizada para representar o
processo de digitalização que ocorre apenas através da superfície transparente
e a expressão “Total” é utilizada para representar os casos em que há a
digitalização de todo o objeto.
4.
RESULTADOS
Os resultados foram
divididos em duas partes, a primeira onde são analisadas qualitativamente as
malhas digitalizadas para verificar possíveis problemas ocorridos na
digitalização e o segundo a análise quantitativa das medidas obtidas pela
digitalização.
4.1 Análises qualitativas
Encontraram-se quatro
tipos de problemas diferentes na digitalização que podem ser verificados na Figura
3.
Figura 3.
Problemas ocorridos nas digitalizações.
Foram encontrados 33
problemas no total. Em ordem foram encontrados onze problemas de Oclusão (33,3%),
dez de Reflexo (30,3%), sete de Qualidade (21,2%) e cinco de Fechamento (15,15%).
Os problemas de Oclusão, foram encontrados apenas nos casos onde o objeto foi
escaneado somente através do material transparente. Fator esperado visto que ao
utilizar-se uma meia volta em torno do objeto, partes ficaram invisíveis ao
escâner. As partes que ficaram oclusas foram as partes posterior tanto do
objeto quanto dos marcadores. Assim como na Oclusão, problemas de Qualidade
ficaram evidentes e apareceram em casos onde foi escaneado o objeto apenas
através do material transparente. Isso pode ter ocorrido pela dificuldade do
acesso do infravermelho à superfície, tanto pela interferência do objeto
transparente quanto pela distância para com o escâner, que não pode
aproximar-se dada a restrição do protocolo utilizado de não digitalizar o
objeto sem a mediação do material transparente.
Os
problemas de Fechamento, ocorreram apenas em casos onde foi digitalizado todo o
objeto, completando a circunferência em torno do ambiente. Por fim os problemas
de Reflexo, ocorreram apenas em casos em que o objeto foi escaneado apenas
através do material transparente.
Foram
encontrados problemas para todos os suportes de material transparente, sendo
que o de acrílico foi o que apresentou menos erros. Acredita-se que a espessura
da superfície transparente não teve influência sobre os erros, visto que o
suporte de vidro de 6mm gerou menos erros do que o suporte de vidro de 3mm.
Também
foram identificados outros problemas na geração das malhas 3D, indicados pelo
comando MeshDoctor do programa Geomagic, sendo: margens altamente vincadas, que
acontecem quando há formação de arestas de ângulo pequeno, picos que constituem
texturas irregulares, pequenas lacunas na malha que são a falta de triângulos
na formação da superfície, e ruídos visuais que são triângulos desconectados da
malha gerando baixa ou nenhuma uniformidade em uma superfície lisa.
Dada
a possível gravidade dos problemas encontrados construíram-se duas tabelas onde
foram ranqueados os problemas de Oclusão, Qualidade, Fechamento e Reflexo com
as seguintes pontuações: 3 – Ótimo, para casos onde nenhum erro do tipo foi encontrado,
2 – Médio onde foi encontrado erro mas o erro não afetou na coleta das medidas
e 1 – Ruim, onde foi encontrado erro e este afetou na coleta das medidas. A
nota dada foi relativa à gravidade do erro e não à quantidade de erros
encontrados. As análises foram feitas dividindo-se as coletas em capturas
obtidas apenas através do material transparente (Tabela 1) e obtidas com coleta
por toda a circunferência do objeto (Tabela 2).
Tabela 1:
Análise qualitativas das digitalizações - Frontal.
|
FRONTAL |
OCLUSÃO |
QUALIDADE |
FECHAMENTO |
REFLEXO |
TOTAL |
|||||
|
P1 |
P2 |
P1 |
P2 |
P1 |
P2 |
P1 |
P2 |
P1 |
P2 |
|
|
AC |
1 |
1 |
2 |
1 |
N/A |
N/A |
2 |
2 |
5 |
4 |
|
V3 |
1 |
1 |
1 |
1 |
N/A |
N/A |
1 |
1 |
3 |
3 |
|
V6 |
1 |
1 |
1 |
1 |
N/A |
N/A |
1 |
1 |
3 |
3 |
Legenda: N/A: não se aplica; AC: Acrílico; V3:
Vidro 3mm; V6: Vidro 6mm; P1: Posição 1; P2: Posição 2.
No caso das digitalizações que foram realizados apenas
pela frente, ou seja, apenas mediados pela superfície transparente, a acrílica
recebeu melhores pontuações tanto para o caso de proximidade quando de
distância do objeto para o material transparente, as outras duas superfícies de
vidro, analisadas receberam pontuações iguais. O principal ponto de
diferenciação entre essas duas situações foi a presença de reflexos nas
superfícies do vidro.
Tabela 2:
Análise qualitativas das digitalizações - Total.
|
TOTAL |
OCLUSÃO |
QUALIDADE |
FECHAMENTO |
REFLEXO |
TOTAL |
|||||
|
P1 |
P2 |
P1 |
P2 |
P1 |
P2 |
P1 |
P2 |
P1 |
P2 |
|
|
AC |
3 |
3 |
3 |
3 |
1 |
2 |
3 |
3 |
10 |
11 |
|
V3 |
3 |
3 |
3 |
3 |
1 |
1 |
3 |
3 |
10 |
10 |
|
V6 |
3 |
3 |
3 |
3 |
2 |
3 |
3 |
3 |
11 |
12 |
Legenda: AC: Acrílico; V3: Vidro 3mm; V6: Vidro
6mm; P1: Posição 1; P2: Posição 2.
Para a análise das
digitalizações em que se circundou o objeto sendo escaneado por completo, a
superfície transparente de vidro de 6mm foi a melhor avaliada seguida do
acrílico e do vidro de 3mm. Todas as pontuações para esse caso (Tabela 2) foram
maiores do que a primeira (Tabela 1) indicando a importância da digitalização
do entorno total do objeto..
4.2 Análises
Quantitativas
As medições que foram
realizadas utilizando o programa Geomagic podem ser conferidas comparativamente
na tabela 3. Nesta tabela estão dispostos os desvios entre as medidas obtidas
com o escaneamento e as medidas reais, além das médias e desvios padrão entre
os desvios para cada uma das variáveis e para cada uma das situações
experimentais.
Tabela 3:
Comparativos dos desvios das medidas obtidas (em milímetros).
|
Material |
Variável |
Situação |
Comparativo por variável |
||||
|
50mm (P1) |
Encostado (P2) |
||||||
|
Frontal |
Total |
Frontal |
Total |
Média |
Desvio Padrão |
||
|
ACRÍLICO 2mm |
AC y |
8.9 |
13.9 |
11.1 |
9.7 |
10.9 |
2.2 |
|
AC x |
7 |
11 |
8.7 |
8.2 |
8.7 |
1.6 |
|
|
AC punho |
20.9 |
3.4 |
17.2 |
0.4 |
10.5 |
10.1 |
|
|
AC dedos |
-4 |
-4.2 |
-3.5 |
-3.5 |
-3.8 |
0.3 |
|
|
VIDRO 3mm |
V3 y |
12.8 |
12.1 |
9.3 |
13.2 |
11.8 |
1.7 |
|
V3 x |
9.3 |
10.3 |
6.7 |
7.4 |
8.4 |
1.6 |
|
|
V3 punho |
6.9 |
8.2 |
17.8 |
2 |
8.7 |
6.6 |
|
|
V3 dedos |
-4.5 |
-4.3 |
-2.8 |
-3.7 |
-3.8 |
0.7 |
|
|
VIDRO 6mm |
V6 y |
10.2 |
16.1 |
9.6 |
12.5 |
12.1 |
2.9 |
|
V6 x |
8 |
11.2 |
9.1 |
6.8 |
8.7 |
1.8 |
|
|
V6 punho |
16.2 |
8.1 |
19.1 |
1.5 |
11.2 |
7.9 |
|
|
V6 dedos |
-4.6 |
-4 |
-4.6 |
-3.5 |
-4.2 |
0.5 |
|
|
Comparativo por situação |
Média |
7.3 |
6.8 |
8.1 |
4.2 |
|
|
|
Desvio padrão |
8.1 |
7.3 |
8.1 |
6.2 |
|
|
|
Em relação as medidas
dos verticais dos marcadores (y), a que mais se aproximou, 9,7 mm que foi
tirada na situação em que foi feita a digitalização apenas através do acrílico,
e com o objeto distante do material (Coluna 50mm-Frente). A medida mais
discrepante com 16,1 mm de diferença foi utilizando o material vidro de 6 mm e
com a digitalização de todo o objeto e com o objeto distante da superfície
transparente (Coluna 50mm-Volta). As medidas retiradas com a digitalização
feita apenas através do objeto transparente, no geral, se aproximaram mais do
que das do caso oposto.
Para o caso das medidas horizontais (x) dos marcadores,
houve uma maior aproximação entre a medida padrão 33 mm e as medidas coletadas,
que apresentaram uma variação entre 6,7 mm e 11,2 mm. Sendo o caso da Coluna 50mm-Volta o mais
divergente assim como o das medidas verticais (y). Para as medidas horizontais (x)
os casos em que houve digitalização apenas através do material transparente (Figura
2 - a e c) gerou resultados melhores.
Para o caso das medidas do punho, houve uma maior
divergência para os resultados, apresentando diferenças que variaram 0,4 mm e
20,9 mm. O caso em que se obtiveram as dimensões mais aproximadas foi o que foi
digitalizado todo o objeto quando estava encostado na superfície transparente
(Coluna Encostado-Volta), já os casos que mais divergiram foram aqueles em que
foi digitalizado o objeto apenas através das superfícies (Figura 2 - a e c). Neste contexto, não é possível identificar
uma relação das diferenças dimensionais com a utilização dos materiais
transparentes.
As
medidas entre dedos foram o único caso em que as medidas coletadas foram
menores do que as medidas originais. As medidas também se aproximaram mais do
objeto padrão sendo que as diferenças dimensionais apresentaram um mínimo de 2,8
mm e máximo de 4,6 mm.
A análise quantitativa demonstra que apesar das
divergências dimensionais entre as medidas reais e as digitalizadas, essas
divergências já eram esperadas, pois como indicado por Guidi, Gonizzi e Micoli [12]
essa imprecisão dimensional é intrínseca ao escâner. O fator de interesse para
este trabalho foi que essas alterações dimensionais parecem não ser diretamente
relacionadas com as superfícies transparentes e sim com as limitações de
precisão já esperadas do equipamento. Nesse contexto, o uso do escâner é
recomendado apenas para a coleta de dimensões de partes do corpo consideradas
médias e maiores pela ISO 20685:2010
[16].
5.
DISCUSSÃO
Encontrou-se a
possibilidade de digitalizar objetos através de superfícies transparentes com a
tecnologia de escaneamento 3D por luz infravermelha estruturada, fato
previamente desconhecido. O resultado final da malha digitalizada aparece como
se inexistisse o material transparente colocado como intermediário.
Os erros de refração esperados [8] não foram
identificados, indicando que o próprio erro sistemático do equipamento [12]
pode mascarar os possíveis problemas de refração. Do mesmo modo, nos casos em
que há a digitalização completa em volta do objeto, estes erros causados pela
refração podem ter sido compensados [7]. Essas informações são corroboradas por
Schwarz-Müller, Marshall e Summerskill [10] e Jones et al. [11] que optaram por
desconsiderar os efeitos de refração impostos pela mediação com o material
transparente.
Apenas dois dos problemas encontrados nas coletas podem
ser associados diretamente ao fato de existir uma superfície transparente que
mediava a digitalização, são eles: erros de reflexo e de qualidade superficial.
Os erros de reflexo podem ser eliminados no processo de limpeza da malha
tridimensional, que é feito após a digitalização, visto que se apresentam como
geometrias descoladas da geometria principal.
Outras duas questões que podem ser apontadas como de
interesse são a divergência entre resultados de objetos escaneados apenas
através do objeto transparente e no entorno total do objeto e entre objetos
encostados na superfície transparente e objetos afastados da mesma. Para o escaneamento
no entorno versus apenas através do objeto transparentes percebe-se que
melhores resultado são alçados quando é feita a digitalização no entorno de
todo o objeto. Isso acontece por que o software de escaneamento é desenvolvido
para interpretar a geometria completa e fazer um fechamento automático da
malha, no entanto quando há parte oclusas, o software na tentativa de realizar
esse fechamento gera distorções e buracos. Sendo assim recomenda-se que a digitalização
seja sempre realizada no entorno total do objeto.
Em
complemento a divergência entre o resultado de objetos encostados e afastados
de superfícies transparentes resulta da criação de reflexos pelos objetos
encostados na superfície transparente, no entanto, como já foi comentado esses
reflexos podem ser eliminados posteriormente à digitalização sem que afetem a
qualidade dimensiona do objeto e, portanto, a digitalização de objetos
encostados nas superfícies transparentes não parece ser uma questão que afeta a
qualidade dos resultados da digitalização.
Os
erros de qualidade superficial foram encontrados apenas na base onde o objeto
escaneado, representação de mão em madeira, estava apoiado. Os erros se
comportaram da seguinte maneira: a superfície da base existente antes do objeto
transparente era captada como lisa e a superfície depois do objeto transparente
se apresentava com mais imperfeições.
Além disso, para o equipamento utilizado, Kinect 360, não
é possível a realização de calibração assim como proposta por Chang et al.
[7] para equipamentos que se utilizam de tecnologia a laser. No entanto, os
resultados obtidos ainda permitem a reconstrução digital tridimensional de
morfologias com baixo custo [12].
Outras possíveis questões que foram encontradas fazem
parte dos próprios erros esperados do equipamento como simplificação das formas
[14], baixo grau de precisão [1] e problemas de fechamento de malha [4], que
ocorreram principalmente em casos em que não foi escaneado todo o objeto e que
dessa maneira eram erros já esperados.
O pequeno ambiente criado se mostrou suficiente para
responder à questão da pesquisa. Contudo, alguns dos problemas dimensionais
encontrados, podem ser atribuídos a pequena dimensão dos objetos digitalizados
que acabam sendo afetados pelo erro sistemático do Kinect 360 [12], caso que
ocorreu principalmente com a pequena espessura dos marcadores que se fundiram
com a base do ambiente construído dificultando e prejudicando as medidas
coletadas.
Visto
o que foi apresentado, pode-se utilizar o escaneamento através de objetos
transparentes para enfrentar alguns fatores relacionados ao comportamento do
corpo humano. O principal fator a ser considerado é a variação postural, que é
tratada com um dos principais fatores limitantes [10] do processo de
escaneamento de pessoas. A maior parte das soluções encontradas para essa
questão, como apoios e suportes, criam sombras e áreas de oclusão de partes do
corpo afetando a coleta de medidas [10]. Tais fatores podem ser contornados com
a utilização de estruturas fabricadas em materiais transparentes [9].
6.
CONCLUSÃO
A partir da execução
deste estudo foi possível verificar a possibilidade do uso de superfícies
transparentes como suporte ou gabarito para objetos e partes do corpo durante o
processo de digitalização utilizando um escâner por luz-estruturada infravermelha
de baixo custo, o Kinect 360. No experimento realizado, a superfície
transparente foi desconsiderada pelo escâner gerando uma superfície
tridimensional do objeto escaneado sem acusar a presença de uma superfície
transparente, o que possibilita a utilização desses suportes.
Ainda, não se encontraram diferenças marcantes entre os
materiais transparentes utilizados, podendo-se assim considerar a possibilidade
de uso de qualquer um dos três para a coleta de medidas, considerando a
qualidade e limitações do equipamento. No entanto, as características
qualitativas da imagem coletada indicam para uma preferência para o uso do
acrílico para objetos escaneados apenas através do material e para o vidro de
6mm para escaneamento no entorno de todo o objeto. Em relação à aproximação das
medidas ao valor padrão encontraram-se melhores resultados com o vidro de 3mm.
Respondendo
às perguntas propostas, foram encontrados quatro tipos de erros no escaneamento:
oclusão, qualidade superficial, fechamento e reflexo. Dos erros identificados
apenas dois apresentam influência da superfície transparente, a qualidade
superficial e o reflexo. Além disso também foi possível comprovar a usabilidade
dessas superfícies digitalizadas na realização de medidas desde que
consideradas as características funcionais intrínsecas do equipamento.
AGRADECIMENTOS
O presente trabalho foi
realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior – Brasil (CAPES) – Código de Financiamento 001 e do CNPq (Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e. Tecnológico).
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